domingo, 6 de setembro de 2009

O que é Educação?

Acabei de excluir minhas duas últimas postagens... Sempre faço isso quando acabo escrevendo coisas extremamente pessoais aqui, como forma de desabafo. Coincidentemente, todas as postagens que já deletei daqui trazem episódios de minha vida que prefiro esquecer.

Tenho passado por momentos difíceis em minha vida. Não só em âmbito pessoal, mas também no profissional. E a faculdade têm sido cada vez mais um peso, fazer este curso (Pedagogia) me é muito sofrido. Não é fácil pensar diferente de todo mundo, e menos fácil ainda é ser discriminada por isso.

Sobre a Pedagogia, acho uma pena que se tenha uma visão tão mediocre sobre ela, enquanto a Educação vai muito além da concepção docência-maternidade e educadoras(es) não tem de desepenhar o papel de mãe dos alunos, sendo uma professorinha Helena, doce e meiga, trabalhando na perfeita escolinha Carrossel. A Educação, como nos diz Paulo Freire, é um ato político, e é esse viés da Educação que quero encarar. Eu gosto do sujo, não quero trabalhar com a elite. Quero um trabalho com os excluídos, com o povo da periferia que conhece a dureza da vida, e não com uma criança mimada que aprendeu com os pais que pode desmerecer o trabalho de seu professor/a por "pagar o salário" dele/a.



Porém, à "Pedagogia Social" também faço severas críticas! O que tenho visto por aí são pessoas que se dizem educadoras sociais, não terem peito para subir um morro, uma favela, não conhecem a realidade da periferia e ainda a criticam ou a discriminam. O que vejo são os ditos "educadores sociais" desviando verba de projetos educativos com o povo, e outros fazendo vista grossa à isso. Há aqueles que conhecem esta realidade de exclusão e já pertenceram à ela, mas que se esqueceram disso.

Vejo ainda, alguns professores (pelo menos estes não se dizem educadores sociais) nos dizerem que devemos prestar concursos públicos, pois estudando numa PUC, passaremos com uma boa colocação e poderemos escolher escolas melhores no centro, e não na periferia! Isso me revolta! Uma escola do centro não tem violência ou pobres? Será que isso só existe na periferia? Será esse o destino da periferia, uma caminho de esquecimento e preconceito?

Na sociedade líquida, os valores têm se decomposto e não há outros que valores humanos e sólidos que ocupem este lugar. Pelo contrário, os valores que se proliferam estão apoiados na ética do mercado e consumo, na felicidade efêmera de curtição que Bauman também chama de amor líquido. O que importa hoje em dia é consumir e curtir, têm-se que ser "cool", descolado/a, de preferência seguir o padrão europeu de beleza e ter roupas, carro, celulares da moda, além de preferência "pegar" várias minas e caras para ser alguém. E quem ajuda a educar estas pessoas? Professorinhas meigas, bonitinhas e sem consciência crítica e política nenhuma, pois o que lhes interessa é fazer atividades cheias de glitter, seguir um livro didático medíocre sem criatividade...

Me desculpem, mas eu rejeito esse padrão de "Tia Cocota"! Não quero seguir o padrão estético de uma boa professorinha que não tenha piercings, tattoos ou cabelos tingidos, mas que também não saiba o valor político que tem a Educação... Uma boa professora se "mede" por seu comprometimento com sua prática educativa e não pela sua aparência!

Something Is Squeezing My Skull (Morrissey)

Something Is Squeezing My Skull, do Morrissey

I'm doing very well
I can blackout the present and the past now
I know by now you think I should have straightened myself out
Thank you, drop dead.

Oh, something is squeezing my skull
Something I can barely describe
There is no love in modern life

I'm doing very well
It's a miracle I've even made it this far
The motion of taxis excites me
When you peel it back and bite me

Oh, something is squeezing my skull
Something I can barely describe
There is no hope in modern life

Oh, something is squeezing my skull
Something I can't fight
No true friends in modern life

Diazepam as valium...temazepam...lithium

HRT...ECT...How long must I stay on this stuff?

Don't give me any more
Don't give me any more
Don't give me any more
Don't give me any more

Please don't give me anymore
Don't give me anymore
Don't give me anymore

You swore you would not give me anymore
Don't give me anymore
Don't give me anymore
Don't give me anymore

Please don't give me anymore
Don't give me anymore
Don't give me anymore

You swore you would not give me anymore
Don't give me anymore (hey)
Don't give me anymore (hey)
Don't give me anymore (hey)

Give me anymore (hey)
Give me anymore (hey)
Give me anymore (hey)
Give me anymore
Give me anymore
Give me anymore
Give me anymore

You swore, you swore, you swore
You swore you would not give me anymore
Give me any more
Give me any more

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Benny Goodman - All the Cats Join In

Esse vídeo é maravilhoso! Benny Goodman muito bem acompanhado! =D

domingo, 23 de agosto de 2009

Reforma Ortográfica

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

e vid ente mente.

Em educação, tudo são evidências. Definitivas. Crenças.
Doutrinas. Dogmas. Ilusões. Palavras gastas. Inúteis.
O que é evidente, mente. Evidentemente.

António Nóvoa.



Simplesmente AMO estes dizeres do Nóvoa!
Beijos a todos e todas!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pedagogia Libertária: Anarquistas, Anarquismos e Educação

A educação ocupa posição central no ideário libertário (anarquista) e se expressa num duplo e concomitante movimento:
- a crítica à educação burguesa e aos métodos tradicionais, nos quais o autoritarismo é elemento chave, e
- a formulação da própria concepção pedagógica que se materializa na criação de escolas autônomas e autogeridas.

No aspecto crítico denuncia-se o uso da escola como instrumento de sujeição dos trabalhadores por parte do Estado, da Igreja e dos partidos. Tem como centro as figuras de Pierre-Joseph Proudhon e Mikhail Bakunin, consolidada nas experiências práticas de Paul Robin, no Orfanato Prévost, Sebastien Faure, com a comunidade-escola de La Ruche e de Francesc Ferrer i Guardiã, com sua Escuela Moderna de Barcelona. (p. 73)

Os anarquistas trabalharam com o conceito de uma educação integral, que envolveria de forma articulada no processo pedagógico três momentos: o de uma educação intelectual, voltada para o aprendizado dos conhecimentos científico-culturais acumulados pela humanidade; o de uma educação física, que cuidaria de educar o corpo – isso não era nada comum nas escolas do séc. dezenove -, subdividindo-se numa educação física como a conhecemos hoje, voltada para a saúde e os esportes e numa educação manual que cuidaria, na primeira infância, de desenvolver e afinar as habilidades sensório-motoras e, mais tarde, iniciaria os indivíduos no aprendizado profissional; e o de uma educação moral, voltada para a vivência na coletividade e para a construção da solidariedade e da liberdade, como bases para a construção de uma sociedade justa. (p. 74)

O capítulo “Educação e Liberdade: a experiência da escola Moderna de Barcelona” fala sobre a experiência de Ferrer na Escola. Executado pelo governo espanhol em 1909, em razão de sua militância libertária, seu maior esforço foi divulgar e disseminar os conhecimentos científicos e o debate ético anarquista como forma de colaboração na construção social da liberdade.

Bibliografia
GALLO, Silvio. “Pedagogia libertária: anarquistas, anarquismos e educação.” São Paulo: Imaginário; Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2007.

Saiba mais
Se quiser saber um pouco sobre Autogestão na Escola, você pode ver meu post sobre este tema: http://neurolepticos.blogspot.com/2009/04/autogestao-na-escola.html


Proudhon e seus filhos, por Gustave Courbet (1865)

domingo, 16 de agosto de 2009

Ella Mae Morse

Um pouco de música por aqui... Ella Mae Morse!







Enjoy!!!

*Ouvindo Ella Mae Morse - Razzle Dazzle (amoooo esta!)*

domingo, 2 de agosto de 2009

A Morte do Leiteiro - Carlos Drummond de Andrade

Um belíssimo poema...

A Morte do Leiteiro
Carlos Drummond de Andrade

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro…
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue… não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.




Veja como fica na voz do próprio autor:

terça-feira, 21 de julho de 2009

AMIZADE

É inevitável que o jogo de interesses chamado amizade seja bastante volúvel. Por exemplo, quando, e apenas enquanto, algum indivíduo é nosso amigo, nós o bajulamos, elogiamos, enaltecemos; fazemos todo o possível para agradá-lo. Afirmamos repetidamente aos nossos amigos o quanto são importantes, virtuosos, inestimáveis. Em regra, isso tudo são mentiras descaradas; dizemos tais coisas apenas para iludi-los com um sentimento falso de importância a fim de que permaneçam do nosso lado. Amizades exigem que mintamos o tempo todo. Não são poucas as situações em que nos vemos forçados a defender nossos amigos de acusações que sabemos ser verdadeiras; se não mentirmos em sua defesa, perderemos sua amizade. Por outro lado, para resguardar a relação, calamo-nos sobre muitos dos defeitos que vemos, sobre muito do que realmente pensamos a respeito de nossos amigos. Em geral, somente descobriremos a verdade sobre o que se pensava a nosso respeito depois que certo indivíduo, talvez por uma desavença pessoal, deixar de ser nosso amigo. Antes disso, tudo o que tínhamos eram dois indivíduos que mentiam um ao outro por interesse. Apenas depois do fim da amizade a honestidade pode realmente vir à tona sem prevenções; o indivíduo torna-se livre para dizer aquilo que, em segredo, sempre pensou a nosso respeito; muitas vezes suas palavras nos chocam, pois talvez pensássemos que, pelo simples fato de ser nosso amigo, tudo o que o indivíduo dizia a nosso respeito era sincero. O sancta simplicitas!

ORIGINALMENTE PUBLICADO EM: http://niilismo.net/reflexoes/amizade.php

sábado, 11 de julho de 2009

Imã

Uma força, meio como que um imã me impele a voltar ao que era antes deste pesadelo. Hábito, comodismo, falta, saudade, amor, costume?
Como espécie desenvolvemos o mecanismo de acomodação, neste quesito que penso, sinceramente não sei. Sei apenas que as lágrimas ainda não secaram e tudo o que eu queria hoje era sentir sua respiração quente e seus braços úmidos.
As possibilidades me parecem infinitas, e parecem paradoxalmente tão poucas. O que faço deus meu?

*Ouvindo The Perfect Drug, do Nine Inch Nails, pra tentar ativar outras lembranças e vislumbrar outras saídas.*